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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

O saber milenar repassado através das gerações

Crato. Um saber milenar, repassado através das gerações, está sendo trabalhado em grupo no Crato, como forma de compartilhar experiências relacionadas à produção de remédios caseiros. As mulheres de diversas comunidades do sopé de serra do Araripe participam do projeto Meizinheiras do Pé da Serra.

Com elaboração de um filme e uma cartilha, além das atividades em grupo, foram registrados depoimentos das mulheres. O trabalho teve a sua culminância na sede do Geopark Araripe, projeto parceiro da Cáritas Diocesana de Crato no desenvolvimento das atividades, em dezembro.

O conhecimento é ancestral e tem sido responsável por salvar as vidas das pessoas que sustentam também na fé a cura pela fitoterapia. Nas comunidades da Batateiras, Chico Gomes e Jenipapo, as mulheres mais experientes foram reunidas nesse tipo de atividade. São elas as mais lembradas nas suas comunidades quando se trata de fazer o remédio infalível, que muitas vezes nem mesmo o produto da farmácia resolve. A experiência de anos auxilia no processo.

A ideia de reunir os grupos foi também um resgate dessa atividade que aos poucos tem sido esquecida pelos mais jovens. O lambedor, sabonetes caseiros, envolvendo as suas formas de preparo, acrescentando ou tirando ingredientes, dependendo da situação do paciente, têm receitas compartilhadas.

Dona Raimunda Queiroz Vitorino, da Batateira, tem as receitas de lambedor e outros remédios caseiros na ponta da língua. Vem desde a sua avó, em tempos difíceis de se encontrar médicos, principalmente para quem residia na zona rural da cidade. Os chás para dor de estômago, verme, gastrite, estão entre as suas especialidades. As ervas estão no terreiro de casa ou em locais que pode identificar com facilidade na hora da precisão.

"Podemos dizer que agora ampliamos esse trabalho", diz, ao relatar a experiência de conviver com as meizinheiras por mais de um ano, na troca de saberes e práticas. Além disso, foram realizados cursos para aperfeiçoamento, inclusive de produtos de higiene, como sabonetes e xampus. Dona Raimunda destaca esse projeto como uma forma de valorização das mulheres de comunidades pobres e distantes muitas vezes da cidade. Além de atenderem às suas famílias, são referência para os vizinhos, com o seu conhecimento.

Cada erva tem a sua indicação específica, mas pode ter o seu potencial curativo ampliado, se trabalhado com outras ervas. Exemplo disso é o remédio para verme, com o mamão e o leite, tomado em jejum. Para dores estomacais, a meizinheira faz a infusão de casca de laranja, flor de juá e mamão. A origem do nome meizinhas, deriva do latim "medicina", e do francês vem "messime", que são as garrafadas, chás, lambedores, unguentos, purgantes.

Os medicamentos fitoterápicos do Nordeste fazem sucesso e sobrevivem ao tempo, mesmo com todo avanço da ciência na área farmacológica e a maior facilidade de se encontrar médicos. As figuras populares conquistam a confiança das pessoas nas comunidades pelo seu conhecimento da flora.

A médica Emile Sampaio Cordeiro destaca a importância desses saberes e o segredo das plantas. Segundo ela, há uma diferença dessa forma de trabalhar o conhecimento em relação ao positivismo da Medicina, que atua nas especialidades. O ser passa por esse saber popular de forma mais ampla, numa relação do homem com a natureza de uma maneira saudável. "É um conhecimento da ancestralidade através de séculos de contato com a natureza", afirma.

O aprendizado veio com a avó. "Não tínhamos condições de comprar o remédio de farmácia e essa era a nossa alternativa", diz dona Raimunda. Ela afirma que os chás que aprendeu a fazer são para gripe e dor no estômago. No chá de sete-ervas, para curar a gripe forte, utiliza plantas como espinho-cebola, malvas-do reino e corona, espinho de cigano, jatobá, cebola, romã, entre outros.

Os tipos de plantas para o chá variam, de acordo com o que o enfermo esteja precisando, conforme e meizinheira. Desde o xarope ao chá, há uma forma diferenciada de preparar. Mas, é importante ter o conhecimento das ervas.

Alegria

Dona Raimunda destaca que, após o projeto, tem aumentado até a quantidade de pessoas que procuram as meizinheiras para fazer os medicamentos fitoterápicos. "É para mim uma grande alegria poder fazer esse trabalho e depois ver as pessoas satisfeitas por estarem melhor", frisa.

Para a moradora da Batateira, dona Terezinha Bernardina de Lima, o curso foi uma forma de reforçar o seu conhecimento. Além de preparar os medicamentos caseiros, ela também reza. "Para ter a cura é necessário que as pessoas tenham fé. Deus coloca as palavras na minha mente e a mãe precisa ter a fé. É uma energia forte que eu sinto", afirma. Muitas vezes, mesmo após a reza, orienta as mães a darem determinado remédio. Desde criança, traz o aprendizado adquirido pela mãe e a avó.

Terezinha tem uma receita diferenciada para preparar o lambedor para a gastrite. Utiliza o vinho de qualquer tipo, mel e a babosa. Esse é um aprendizado que vem de muitos anos. "Gente que não comia com dor no estômago, fica bom", atesta. Além dele, prepara o lambedor de jatobá, aroeira, e usa a casca com romã para curar cortes, cozinhada com um pouco de vinagre.

Sabedoria

A coordenadora do projeto, Verônica Carvalho, disse que as demandas foram identificadas nas comunidades pela Cáritas e com base no tema da Campanha da Fraternidade esse ano, que inclui a saúde, facilitou o processo na elaboração de um projeto para atender às mulheres e potencializar essa sabedoria.

Foram incluídas três comunidades do Crato e reunidas 18 mulheres. Ele ainda destaca que após o diagnóstico, as participantes começaram a realizar as rodas de conversas itinerantes, em todas essas comunidades, trabalhando desde as políticas públicas de saúde ao conhecimento que elas já têm.

Fonte: Diário do Nordeste
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