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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Governo Camilo Santana. Dois anos administrando crises

Eleito com agenda própria em outubro de 2014, o governador Camilo Santana (PT) acabou tendo de adaptar os planos diante de um cenário turbulento. Chegando agora ao marco de dois anos de mandato, o petista se viu obrigado a “dançar conforme a música” e passou boa parte dos primeiros 730 dias de governo administrando crises que insistiam em aparecer. Na metade da gestão, Camilo equilibra hoje governo com picos de instabilidade, mas também alguns índices expressivos.


As crises foram frequentes: mal empossado no cargo, o governador teve de enfrentar um surto de sarampo e protestos de médicos contra corredores lotados em hospitais públicos do Estado. Pouco depois, viriam ataques criminosos a postos policiais, aprofundamento da seca, rebeliões em presídios e unidades socioeducativas e até um carro-bomba na Assembleia Legislativa.


No início do 2º ano, Camilo viu o aprofundamento da crise política derrubar a correligionária Dilma Rousseff (PT) do poder, entregando o governo para opositores seus no Estado. A falta de apoio inicial, ligada à crise econômica do País, acabou obrigando o governo a aumentar impostos e engessando grandes obras - quase concluídas no governo Cid Gomes (PDT), ações como o Centro de Formação Olímpica (CFO) ou o Hospital de Quixeramobim ficaram “congeladas” na gestão do petista.

“A crise econômica afetou o País como um todo, então obviamente afetaria o Ceará. É claro que a possibilidade de o Estado arrecadar, de ter recursos para tocar políticas, fica prejudicada”, diz Élcio Batista, chefe de Gabinete do governador. “Mas o governador Camilo conseguiu conduzir muito bem esse processo, dialogando, buscando recursos”, diz.


Líder da oposição no Estado, o senador Eunício Oliveira (PMDB) rebate. “O que ele tem feito foi aumentar impostos, e assumir um legado de obras inacabadas”. Ele afirma que o governador recebeu um governo “falido” e com obras “faraônicas”, sem funcionamento.


Reações

Diante das pressões, o governo se mobilizou e respondeu às crises - com níveis variados de êxito. O sarampo, por exemplo, foi erradicado após um ano. Crítica durante a gestão Cid Gomes, diálogo do governo com Policiais Militares avançou, com aprovação de promoções e outras vantagens ao grupo.


Ironicamente, apesar do pequeno legado “físico” de obras, governo Camilo acumula alguns dos maiores progressos de indicadores do Estado. Na segurança, por exemplo, nível de homicídios teve a maior redução desde 2000. O Estado também acumulou vitórias na educação, com 77 das 100 melhores escolas públicas do País.


Para o futuro, o governo se prepara agora para enfrentar sobretudo a questão hídrica, que abre 2017 com possibilidade de racionamento em Fortaleza e colapso hídrico no interior. “Junto com isso, obviamente, vamos continuar investimentos necessários para as áreas de energia e infraestrutura, avançando também com concessões de equipamentos públicos”, diz Élcio.



BOM


Menos homicídios

Governo Camilo registrou melhores índices de segurança da história recente do Estado. Em 2016, número de homicídios caiu 15,2% - maior queda desde 2000. Gestão também melhorou diálogo com PMs, com lei de promoções e outros avanços.


Mais educação

Ceará registrou grandes índices na educação, com Ideb 2016 apontando 77 escolas públicas do Ceará entre as 100 melhores do País. 24 melhores estão todas no Estado. A ação rendeu elogios generalizados à gestão estadual.

Sarampo erradicado

Após diversos anos de surto da doença, o Sarampo foi erradicado no Ceará, com o último caso registrado em julho de 2015. Campanha e ação organizada do governo foi considerada fundamental para que o Estado atingisse a conquista na área.

RUIM


Obras congeladas

Responsáveis por deixar “marca” da gestão, ações como Centro de Formação Olímpica, Linha Leste do Metrofor, Anel Viário e Acquario pouco avançaram. Diferente do que ocorreu com Cid Gomes, mau momento da economia atrapalhou.


Mais assaltos

Em 2016, o Ceará registrou mais de 66,6 mil crimes violentos contra o patrimônio, maior número dos últimos quatro anos. Para especialistas, esse tipo de ocorrência é o principal responsável pela sensação de insegurança entre cidadãos.

Sem bloqueadores

Sancionada em março passado, lei que obriga instalação de bloqueadores de celular em presídios até hoje não foi colocada em prática. Governo atribui questão à Justiça, onde recurso de operadoras contra a lei aguarda julgamento.


Fonte: Opovo Online
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