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sexta-feira, 17 de julho de 2020

Sem romarias, R$ 500 milhões podem deixar de circular

As romarias atraem milhares de pessoas todos os anos a Juazeiro do Norte. Devotos do Padre Cícero viajam de várias partes do Nordeste para venerar o Santo popular fundador da cidade. É nesse chão de fé, mas também de pujança no trabalho, que cresceu o maior município do interior do Estado, cuja economia é inflada com as movimentações financeiras ocorridas nas grandes celebrações católicas. Contudo, neste ano, o ciclo de romaria, que se inicia hoje (17), será celebrado de forma virtual, trazendo forte impacto econômico para o Município.

De acordo com estudo realizado pela Secretaria de Turismo e Romaria (Setur) de Juazeiro do Norte, cada romeiro gasta, em média, R$ 754, englobando alimentação, transporte, estadia e custos extras. Levando-se em consideração que a cidade recebe em torno de 770 mil pessoas nas quatro principais romarias, estima-se que meio bilhão de reais deixe de circular entre julho e fevereiro do próximo ano.
Apesar do impacto sem precedentes, o médico infectologista e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Ivo Castelo Branco, avalia que a chance de o Ceará ter grandes eventos neste ano é zero. "Não tem como. É uma irresponsabilidade. Pessoas podem morrer. Não tem medicação. A fé está em todo lugar, não precisa correr até Juazeiro", enfatiza.

Prejuízo

Cientes deste cenário, empresários já projetam uma grande perda, como é o caso de Valdete Coelho, que comanda um hotel no Centro da cidade. Ele conta que fechou seu estabelecimento no dia 19 de março, mas acreditando que seria possível retorno breve. Com o passar do tempo, a situação ficou preocupante e seus clientes, que visitam a cidade, principalmente nas romarias de Nossa Senhora das Dores, Finados e Nossa Senhora das Candeias, já estão cancelando as reservas feitas.

"Eu estou achando muito difícil ter festa este ano. Está muito próximo. Se acontecer, será diferente. O prejuízo é grande", conta. No seu hotel, trabalham cinco pessoas com carteira assinada. Estes funcionários tiveram contrato suspenso por dois meses. "São pessoas que dependem diretamente do rendimento. Quem vai vir para Juazeiro do Norte com a pandemia? Não tem como vir a trabalho ou passear", lamenta Coelho.

O impacto também será sentido pelo empresário Francisco de Assis Freitas, proprietário de uma fábrica de velas em Juazeiro do Norte. Por mês, ele chega a fabricar 40 toneladas do produto, mas durante a Romaria de Finados, por exemplo, este número triplica. "A gente já começa a se preparar no começo do ano para quando chegar novembro, conseguir atender a demanda. Se não houver as romarias, será um problema sério. Quase todas as pessoas que vêm a Juazeiro acendem velas, principalmente no Horto", conta, sem detalhar, em cifras, o impacto financeiro.

Além dos empreendedores locais, as romarias também favorecem empresários de outros estados. Durante o período dos festejos, o produto mais procurado pelos visitantes, a rapadura, é todo trazido do Pernambuco. Um dos fabricantes do doce é Valdemir Adriano da Silva, de Santa Cruz da Baixa Verde, que fabrica duas toneladas por dia. Já durante as celebrações de Juazeiro do Norte, o aumento em seu engenho varia de 35% a 40%. "Daqui saem mais de 10 caminhões de rapadura. Eu tenho clientes que enchem os carros. A procura é grande", afirma. Sem o fluxo de romeiros, no entanto, a produção terá que ser reduzida.

Embora a presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Juazeiro do Norte, Zenilda Sena, não detalhe os números do impacto financeiro com o cancelamento das romarias, por considerar que ocorram variantes, ela reconhece que o prejuízo "será grande". "Hotéis, pousadas, restaurantes, bares, comércios de miudezas. Tudo isso gira em torno da romaria. Ainda tem os camelôs, pequenas lojas, pessoas que vêm de fora trabalhar aqui. Tudo isso faz a moeda circular. É uma perda na sua totalidade", lamenta a presidente do CDL.

Por Diário do Nordeste 
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