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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Página intitulada “PM de SP” incita à violência e à morte na internet

Walmyr Junior * 
O retrato da impunidade e da violação dos direitos humanos se reverberou mais uma vez na internet essa semana, através de uma pagina intitulada “PM de São Paulo – Site Governamental” no Facebook. A página caracterizar a Policia Militar de São Paulo como violenta, promovendo um desserviço para a humanidade. 

O Brasil carrega a triste 7ª posição no ranking de países mais violentos do mundo. Os dados do Mapa da Violência apontam que 56.337 pessoas perderam a vida assassinadas no país no ano de 2012, 7% a mais do que em 2011. O crescimento de 13,4% de registros desse tipo de morte, comparados ao ano de 2002, equivalem a pouco mais que o crescimento da população total do país que foi de 11,1%.

A sociedade brasileira está acostumada a naturalizar a violência que a polícia reproduz, com o velho discurso do ‘bandido bom é bandido morto’. Sabemos muito bem quem é o alvo da PM, a sua cor, sua idade e onde mora. As juventudes que moram em zonas periféricas possuem menos sonhos e expetativas em suas vida.

Esse discurso de ódio vem sendo alimentado nas redes sociais através de uma página que supostamente é institucional e que, pelo seu título, representaria a política pública de segurança do Governo de São Paulo. Não reprimir esse crime cibernético é no mínimo uma contradição. Acredito que ainda existam policiais que certamente não se sentem representados com essa lógica da carnificina e do genocídio. 

Pessoas que se sentem à vontade em matar, bater, condenar sem provas, certamente utiliza discursos efêmeros desse tipo para garantir a manutenção dos seus privilégios. O racismo institucional é utilizado como ferramenta de manutenção dessa sociedade que não só mata, mas deseja banir a juventude negra de todos os espaços de sociabilidade.

Venho denunciando constantemente que é preciso/urgente terminar com a Polícia Militar, desmilitarizá-la, unifica-la à Policia Civil, acabar de fato com os  autos de resistência e tratar todas as mortes (envolvendo policiais ou não) como casos de homicídios, processar os autores e prover auxílio psicossocial para as famílias das vítimas, especialmente para mães que perderam os filhos.

O Brasil é um país que não tem pena de morte na sua Constituição Federal em período de paz. O Estado não tem poder de tirar vida de ninguém, muito menos a Policia Militar. 

* Walmyr Júnior é morador de Marcílio Dias, no conjunto de favelas da Maré, é professor e representante do Coletivo Enegrecer como Conselheiro Nacional de Juventude (Conjuve). Integra a Pastoral Universitária da PUC-Rio. Representou a sociedade civil no encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ.


Fonte: Jornal do Brasil
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