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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Os criminosos cearenses e a teia sem fim de ataques a bancos

O crime organizado age rápido. Não precisa enfrentar os entraves da burocracia, a letargia do Judiciário, nem a fragmentação de informações importantes. Os próprios criminosos criam as ‘leis’ das facções, dão ordens para que as ofensivas sejam executadas, promovem ‘tribunais’ e eliminam quem não obedece o regime. Em contrapartida, a Polícia tem um cenário totalmente oposto. Já no primeiro contato com o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil de São Paulo, ficou claro que uma maior integração facilitaria muito as investigações Brasil afora. Como em um jogo, cada Estado tenta montar um quebra-cabeça, cujas peças não estão todas ali. As Polícias perdem tempo correndo atrás das mesmas pessoas, tentando derrubar os mesmos esquemas, articulados pelas mesmas facções.

Uma tentativa frustrada de furto ao cofre do Banco do Brasil, na Zona Sul de São Paulo, levantou suspeitas sobre a possível reorganização da quadrilha que cometeu o maior crime já registrado no Ceará, o furto ao Banco Central de Fortaleza, ocorrido em 2005. Os suspeitos também cavaram um túnel que levaria à agência, porém não chegaram ao dinheiro. O delegado Fábio Pinheiro Lopes, titular da Delegacia de Investigações sobre Furtos e Roubos a Bancos do Deic, diz que a movimentação do bando era acompanhada e quando os criminosos estavam reunidos para acertar os últimos ajustes do furto, foram presos. 

Ao todo 16 pessoas foram detidas, 14 delas tinham antecedentes criminais. O delegado revela que, apesar das semelhanças, não há nada que ligue este caso ao do Ceará. “Provavelmente se inspiraram, por ter sido um crime emblemático, mas não detectamos a participação de ninguém nos dois casos. Eles estão preferindo colocar em prática crimes menos violentos. Se cavam um túnel e conseguem levar o dinheiro, responderão por furto; se cometem um roubo e isso evolui para um latrocínio estarão muito mais complicados”, afirma. Porém, Fábio Lopes revelou que há indícios do envolvimento de parte da quadrilha que furtou o Banco Central em um roubo muito mais audacioso, que seria o maior já cometido no Brasil. 

No dia 27 de agosto de 2011, dois homens renderam um vigilante e entraram com outros dez comparsas no subsolo da agência do Itaú da Avenida Paulista. Os criminosos violaram 170 cofres particulares e ficaram horas no banco. “O prejuízo ali é incalculável, porque nem todo mundo declarava tudo o que guardava nos cofres. Tem gente que perdeu 10 milhões de dólares. Foi um crime colocado em prática com muita expertise. Todo mundo sumiu depois. Simplesmente sumiu”, explicou Fábio Lopes. 

Início

Durante as investigações do roubo na Paulista, surgiu o nome de Wagner dos Santos, o ‘Waguela’, que foi indiciado pela Polícia Federal no roubo do Banco Central, mas acabou sendo absolvido no processo. “O ‘Waguela’ é o parceiro inseparável do Marcelo Marchini, conhecido como ‘Marrom’, que participou do caso do Banco Central. Acreditamos que ‘Marrom’ tenha roubado a transportadora ‘Transbank’, aqui em São Paulo, em 2004, exatamente para financiar o crime de Fortaleza. O furto ao Banco Central pode ter começado aqui e certamente ainda não terminou, porque o dinheiro de um caso vai financiando outro”, afirmou um investigador do Deic, que preferiu não se identificar.


Principalmente para o Ceará, este furto parece não ter fim. Antônio Jussivan Alves dos Santos, o ‘Alemão’, condenado como mentor do crime, era custodiado no Sistema Penitenciário do Estado até dezembro de 2017. Em agosto deste ano, um bando tentou resgatá-lo e ele terminou baleado. As investigações do resgate reacenderam as suspeitas sobre a participação dele em outras ações. “O Sistema Penitenciário daqui não cumpre sua função de isolar o criminoso. Estão presos, mas comandam quadrilhas montadas aqui fora. O ‘Alemão’ nunca deixou de assaltar banco. E não estou falando apenas do Ceará, mas de vários Estados brasileiros. Ele dá ordens ao primo, Juvenal Laurindo, e ao Antônio Artênio da Cruz, o ‘Bode’, e a quadrilha executa”, disse uma fonte da Inteligência da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). 

Segundo o investigador, ‘Alemão’ também estava elaborando outros tipos de roubos. “Recentemente, aconteceram quatro assaltos muito parecidos. Pessoas com fardas da Polícia Federal entraram em condomínios de luxo, dizendo que cumpririam mandados de prisão, e acabaram assaltando apartamentos específicos. O ‘Alemão’ está por trás disso. Ele tem uma extensa rede de contatos e ficava sabendo de informações privilegiadas dentro da cadeia. Sabe quem tem muito dinheiro e estava apenas mandando buscar. O Ceará, realmente, não tinha condição de custodiar um preso como ele, com capacidade de planejar crimes a longo prazo, com paciência e sem alarde”.

‘Bocão’

Além de ‘Alemão’, Juvenal Laurindo e ‘Bode’, outro ‘cabeça’ do furto ao Banco Central, Marcos Rogério Machado de Morais, o ‘Bocão’, continua atuando em grandes ações, segundo a fonte. Juvenal Laurindo e ‘Bode’ são os únicos acusados do furto que nunca foram presos. ‘Rogério Bocão’ foi capturado passeando em um shopping de São Paulo, em 2007, mas montou um audacioso plano de fuga e foi resgatado do Instituto Penal Professor Olavo Oliveira (IPPOO) II, em Itaitinga, em 2011. Depois disso, se transformou em uma espécie de fantasma.


Pouco se soube de concreto sobre ele nestes seis anos. “Recebemos informes de que ele fez cirurgias plásticas e mudou o rosto; que mora em São Paulo, mas vai muito ao Paraguai; e que participa de grandes ataques nacionais e internacionais. A informação mais recente é que ele esteve em Fortaleza, entre junho e julho de 2017, planejando um roubo a uma transportadora localizada no Centro”, afirmou o policial. 
Outro investigador da Inteligência da Pasta disse que ‘Alemão’ e ‘Bocão’ estão entre os maiores assaltantes do País. “O ‘Alemão’ é uma espécie de ‘consultor’ de assaltos. Dentro da prisão ele sabia o que estava sendo planejado do lado de fora e oferecia seus ‘serviços’, que seria dar dicas. Ganhava dinheiro mostrando os caminhos, arranjando gente para a linha de frente. Infelizmente, depois desse caso do Banco Central, ele ganhou um status de lenda no mundo do crime. Já ‘Bocão’ é mais violento e vai para a linha de frente das ações. Nunca parou de ir, mas só participa de coisas realmente muito grandes”, explicou. 

O delegado de Polícia Civil, Francisco Carlos de Araújo Crisóstomo, que não acredita que ‘Alemão’ tenha sido o mentor do furto ao Banco Central, diz que há anos a dupla age junta e se complementa. “O Jussivan se mostrou um líder e não costuma agir com violência. Age sempre com inteligência, inclusive para lavar boa parte do dinheiro que conseguiu com o furto do Banco Central. Ele emprestava R$ 6 milhões para a pessoa devolver R$ 3, ‘lavado’, no dia que ele quisesse. Tirava o dinheiro da mão dele, mas de uma forma garantida. Rogério é o lugar-tenente do Jussivan. Confiam muito um no outro, mas ao contrário do Jussivan, o Rogério é muito violento e perverso. Acabam sendo complementares como bandidos”.

ESTRATÉGIA DE ‘MARCOLA’ TORNA PCC UM ‘FAST-FOOD’ DA DROGA
São Paulo. Além da real potência do Primeiro Comando da Capital (PCC), um mito também é alimentado. Um investigador da Delegacia de Investigações sobre Facções Criminosas e Lavagem de Dinheiro do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil de São Paulo, explica que quanto maior e mais articulado for o criminoso, mais longe ele estará das cúpulas locais da facção. “Um bandido como o ‘Alemão’, por exemplo, não precisa do PCC para nada. A não ser para se proteger dentro da cadeia. E é isso que ele faz. É aliado à facção, mas não tem poder de liderança, porque não quer se ocupar disso. Uma ação do ‘Alemão’, não necessariamente é do PCC, mas acabam colocando isso na mesma conta e a facção ganha uma projeção imensa”. 


Atualmente, o PCC tem mais de 20 mil membros em todos os Estados brasileiros e em outros países da América Latina. O número não contabiliza as pessoas que simpatizam ou colaboram eventualmente com a facção. De acordo com um levantamento do Ministério Público de São Paulo, a organização criminosa movimenta de R$ 20 a 30 milhões por mês. Além do capital gerado pelo tráfico de drogas, o PCC faz uma rifa a cada 45 dias e é exigente com o pagamento da ‘cebola’ (uma espécie de mensalidade). A rifa é vendida pelos criminosos que estão na rua e oferecem veículos, imóveis e até armas como prêmios. A ‘cebola’ também é paga pelos membros que estão soltos, atualmente, custa R$ 900. 

Com núcleos bem divididos para desempenharem atividades distintas e com a contabilidade toda registrada em cadernos, a facção se ‘profissionalizou’ no tráfico. “O PCC se transformou em uma espécie de franquia. Fora da cadeia é um fast-food da droga; dentro, funciona como uma espécie de sindicato. Os presos se batizam para serem protegidos na cadeia, mas não têm contato com os grandes líderes, nem sabem o que está sendo planejado. Ser filiado ao PCC quase nunca dá o direito de saber os próximos passos da facção. Nós nem investigamos qualquer pessoa que se diga do PCC. Voltamos nosso trabalho para os mais importantes, os que são chamados dentro da organização de ‘sintonia’, porque são eles que fazem o negócio funcionar”, afirmou o policial do Deic. 

Em cada Estado existe um ‘sintonia’ (líder) na rua e outro na prisão. O policial revelou que o ‘sintonia’ do Ceará dentro do Sistema Carcerário é um traficante, já o que está na rua é um ladrão de carga. “Ambos estão identificados e são monitorados”, afirmou. “Os interesses da rua e os da cadeia não batem e cada um cuida de uma parte. Geralmente, quem ocupa cargo na facção não é um bandido de grande porte, ou capaz de montar um grande esquema sozinho. Recebe ordens da cúpula e trabalha praticamente em tempo integral para a facção. Se você é um bandido grande, e eu volto a citar os do Banco Central, porque deixaria de articular coisas para si para se ocupar em dar lucro ao PCC?”, interpela. 

Questionado sobre a importância do Ceará para a facção, o investigador especializado concorda com a Polícia local e diz que pode estar ligada à posição geográfica do Estado, relativamente próximo da Europa. “Se o Ceará não fosse importante, o Alejandro Júnior não teria ido pessoalmente montar e expandir um esquema de tráfico lá, como aconteceu. Se não fosse um lugar promissor, um dos líderes máximos não se arriscaria em ir para lá. Não sei como eles conseguiram isso, mas a verdade sobre o PCC é que os maiores lucros ficam com a cúpula. Eles convenceram essas 20 mil pessoas a trabalharem para eles”. 

Outro policial da Delegacia de Facções, que conversou com a reportagem, afirmou que a importância de uma região para as facções está diretamente ligada às rotas de drogas. “Temos duas grandes rotas de entrada de droga no Brasil: a da Amazônia, que se expande pelos rios e chega à Região Norte; e a chamada ‘rota caipira’, que começa no Mato Grosso e segue para São Paulo. Já a principal rota de saída da cocaína para a Europa, sem dúvidas, é pelo o Nordeste”. 

Cúpula

O núcleo conhecido como ‘sintonia final geral do PCC’, que funciona como uma espécie de conselho deliberativo tem oito pessoas: Marcos Willians Herbas Camacho, o ‘Marcola’; Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior; Fabiano Alves de Sousa, o ‘Paca’; Rogério Jeremias de Simone, o ‘Gegê do Mangue’; Daniel Vinícius Canônico, o ‘Judeu’ ou ‘Cego’; Abel Pacheco de Andrade, o ‘Vida Louca’; Roberto Soriano, o ‘Tiriça’; e Júlio César Guedes de Moraes, o ‘Julinho Carambola’. 

“Atualmente ‘Marcola’ não é mais o líder máximo. O ‘Gegê’ e o ‘Cego’ têm o mesmo poder que ele. São velhos amigos e agem juntos há muitos anos. ‘Marcola’ virou uma espécie de ‘presidente de honra’. Ele é a cara do PCC, tudo que acontece na facção remete a ele, mas não manda mais em tudo sozinho. Hoje em dia está muito restrito, exatamente porque fica muito em evidência. Por conta disto, é preciso que tenha mais gente com a mesma envergadura que ele para tomar decisões”, disse o policial do Deic.

Conforme a fonte, o modelo de organização ‘empresarial’ que o PCC alcançou foi ideia de ‘Marcola’. Ele acabou com as brigas e focou principalmente no tráfico de drogas e armas. “O que torna o PCC grande e forte é exatamente a quantidade de dinheiro que movimenta. Se uma carga de drogas é apreendida, eles têm o dinheiro da ‘cebola’ ou das rifas para cobrir. O Comando Vermelho e a Família do Norte, por exemplo, não têm esse caixa e as dívidas acabam em brigas, execuções, confusões. Aproveito para lembrar que a ‘empresa’ PCC não comete roubos. Tem membros da facção que são assaltantes e agem de forma independente. Não é porque se filiam que precisam dar satisfação ao ‘Marcola’ de tudo que vão fazer, isso é uma lenda”.

A facção também tem vários paióis espalhados pelo País. Algumas das armas que estão nestes depósitos são rotativas e podem ser alugadas aos integrantes, que precisem delas em ataques a banco, por exemplo. A devolução é exigida, ou o valor da arma será pago. Se não com dinheiro, com a vida de quem locou e não devolveu.

O outro investigador entrevistado conta que a expansão do PCC para fora do Brasil está sendo acompanhada de perto. “Existe um deputado na Bolívia com o mesmo sobrenome de ‘Marcola’ e ‘Alejandro’. Chequei pessoalmente a possibilidade de Gabriel Herbas Camanho ser irmão deles, mas nos documentos os nomes dos pais do deputado são diferentes. Acho remotíssima a possibilidade de que os três sejam irmãos, mas confirmamos outras coisas importantes. Principalmente, que mesmo a força do PCC não sendo tão grande nos Países vizinhos, a facção já tem negócios consolidados na Bolívia e no Paraguai”.

Venceslau 

Todos os membros da cúpula da facção são custodiados na Penitenciária Maurício Henrique Guimarães Pereira, a P2 de Presidente Venceslau. A unidade ficou conhecida como ‘Proibida’ pelo status de intocáveis que os detentos de lá ganharam no mundo do crime. “Quem consegue trazer mais droga e vender mais no Brasil tem lucros maiores. Com lucros maiores, conseguem mais poder na facção. Na cúpula estão os principais narcotraficantes do País. A força do PCC não está em quem está fora da cadeia, mas em quem está dentro. O PCC é Venceslau”,disse o policial civil. 

O investigador da Delegacia de Facções afirma que é preciso que todas as Polícias se unam para estabelecer estratégias de enfrentamento. “Não existe uma solução milagrosa para acabar com o PCC. Dediquei toda a minha vida profissional a enfrentar essa facção e vejo que isto não fez com que ela sucumbisse ou mesmo enfraquecesse. Para atacar realmente o PCC, nós precisamos de um plano nacional de Segurança Pública”

O delegado Fábio Lopes, da Delegacia de Roubo a Banco do Deic, também acredita que a integração seria o meio mais eficiente de combate. “O PCC tem uma coisa que o Estado não tem: o poder do terror. A Polícia tem, sim, força para enfrentar o PCC, mas necessitamos de um convencimento geral de que a legislação precisa ser modificada em alguns pontos, para dar mais força ao combate do crime organizado. As Polícias sofrem dos mesmos problemas, apenas de tamanhos diferentes. É preciso que o trabalho seja integrado, porque a gente aperta o cerco aqui e eles vão para outros estados. Quando apertam o cerco nos outros estados eles voltam para cá. A Polícia precisa de integração e fortalecimento. Isso podia ser feito pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). Era preciso traçar uma maneira de combater o crime organizado da mesma forma, agir padronizado, tornar norma o que cada Estado estiver fazendo de bom”.


Fonte: Diário do Nordeste
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