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quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Município onde circulam duas listas da morte não tem perícia do Instituto de Criminalística

O promotor Gustavo Dias, da Comarca de Chã Grande, município da Zona da Mata onde circulam duas listas com nomes de pessoas marcadas para morrer, disse, nesta manhã, que a localidade não dispõe de perícia do Instituto de Criminalística (IC) em local de crime e nem sequer de remoção dos corpos por parte do Instituto de Medicina Legal (IML). Diante da falta de perícias e diligências, o promotor afirmou que está devolvendo alguns dos inquéritos de homicídios para que as mesmas sejam providenciadas.

"Em muitos casos, sinto falta de diligências que podem ser adotadas e perícias que devem ser realizadas. Por isso estou devolvendo os inquéritos para que sejam providenciadas", disse Dias. A remoção dos corpos, segundo ele, tem sido feita por casas funerárias após liberação dos corpos pela Polícia Civil.

Nesta manhã, o promotor reuniu-se com o delegado João Gaspar, que responde interinamente pelo município, para definir ações conjuntas entre os dois órgãos e assim solucionar os recentes homicídios na região. Ele descartou, no entanto, a ação de um grupo de extermínio. “É importante dizer que os homicídios entre si não estão todos relacionados. Alguns casos foram esclarecidos e as autorias identificadas são distintas e não se relacionam, inclusive a motivação dos delitos. O ponto em comum é que as pessoas cujos nomes estão na lista são envolvidas com a criminalidade”, disse o promotor.

Ainda segundo Dias, a última lista foi feita por uma pessoa que teve seu nome divulgado na primeira. “Por vingança, a pessoa quis entregar outros criminosos fazendo a segunda lista”, acrescentou o promotor.

Dias chamou a atenção para a situação do pouco efetivo do município. “O estado precisa olhar com cuidado essa questão porque o número de agentes da Civil e PMs é insuficiente para a demanda, o que acaba prejudicando a repressão ao crime e as investigações”, pontuou. Segundo o delegado João Gaspar, a Delegacia de Chã Grande dispõe de cinco agentes, sendo quatro para a permanência e apenas um para investigar.

As listas da morte começaram a circular em 2016, de forma inusitada, quando a primeira delas foi colada na parede do cemitério da cidade. No ano passado, em março, uma nova lista foi divulgada, dessa vez em uma escola pública abandonada no centro do município. Ambas foram recolhidas pela polícia.

O assunto voltou à tona porque um jovem com 17 anos citado na segunda lista, José Moisés Avelino, foi assassinado na tarde do último sábado por homens que ocupavam um carro branco. Na semana passada, outra pessoa da mesma lista, um homem com 18 anos, também foi baleado no pescoço e no ombro, mas sobreviveu e foi atendido no Hospital da Restauração (HR). Momentos antes do atentado, ele conversava com Moisés em uma área descampada próxima ao centro da cidade. 

O autor da segunda lista já foi identificado e oito pessoas das duas listas já foram assassinadas, inclusive esse tal autor, de acordo com o MPPE. “Quando a lista foi divulgada, havia três nomes de pessoas que já tinham sido assassinadas. Algumas morreram fora de Chã Grande, uma delas em envolvimento em um assalto, outras foram embora da cidade e duas estão presas”, informou Dias.

A segunda lista tem ao todo 14 nomes ou apelidos escritos a mão, com caneta, além das frases: “Vai tudo morar com o satanás” e “Ainda vem mais outra lista”. Ao lado dos nomes também foram desenhadas cruzes. A primeira lista traz 19 nomes, também escritos à mão, o número 666 – conhecido como o número da besta - e a frase: “O cão tá (sic) esperando. Vai tudinho pro (sic) inferno”.

Um áudio que circula pelo Whats App entre a população de Chã Grande desde o ano passado traz uma gravação com uma voz masculina descrevendo ameaças contra as pessoas da lista. “Tô (sic) voltando. Agora eu quero a raça safada de Lajedo Grande. Quero pegar aquela raça safada que tá (sic) fazendo mal ao povo”, diz a voz anônima em um dos trechos da gravação. Em seguida é ouvida uma risada e sons de tiros.

Confira a resposta da Secretaria de Defesa Social na íntegra:  
"A SDS informa que a Polícia Científica de Pernambuco tem descentralizado suas unidades, fortalecendo as perícias criminais por todo o Estado. Além das unidades já existentes no Recife, em Caruaru e Petrolina, em 2018 foram inauguradas as regionais de Nazaré da Mata, Garanhuns, Arcoverde, Ouricuri e Afogados da Ingazeira. A próxima a ser inaugurada, ainda neste 1º semestre de 2019, é a de Palmares, na Mata Sul, que cobre 25 municípios da região, entre eles Chã Grande. 

Entre os serviços oferecidos pelos Complexos Regionais de Polícia Científica estão as perícias em locais de crime, balística, identificação de fraudes em veículos, laboratório de drogas e informática forenses, que ajudam a conferir mais agilidade e qualidade às investigações criminais. O IML, por sua vez, fará exames em vivos, a exemplo do traumatológico e do sexológico. O IITB oferecerá os serviços de emissão de carteiras de identidade, identificação criminal e necropapiloscopia.

Ao todo, o Complexo de Polícia Científica de Palmares vai atender os moradores de Amaraji, Chã de Alegria, Escada, Glória do Goitá, Pombos, Primavera, Vitória de Santo Antão, Chã Grande, Gravatá, Água preta, Barreiros, Belém de Maria, Catende, Cortês, Gameleira, Jaqueira, Joaquim Nabuco, Maraial, Palmares, Quipapá, Ribeirão, Rio formoso, São Benedito do Sul, São José da Coroa Grande e Sirinhaém.

Importante ressaltar que os casos de CVLI em Chã Grande cairam 40%, saindo de 10 ocorrências em 2017 para 6 casos em 2018". 

Fonte:  Diário de Pernambuco
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