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sábado, 21 de março de 2020

Isolamento da população irá definir escalada do coronavírus nos próximos dias

Enquanto a consulta se dava, por causa da suspeita dos sintomas da covid-19, o médico pediu licença para atender o telefone celular. Deu para ouvir quem estava do outro lado da linha. O secretário da Saúde do Ceará, Carlos Alberto Martins Rodrigues, o Dr. Cabeto, era o interlocutor. O gestor pedia ao colega que intermediasse alguns leitos para pacientes graves no hospital Fernandes Távora. "Sim, sim, consigo, consigo", repetia solidário o clínico geral.

Pedi desculpas pela indiscrição e perguntei sobre o apelo do secretário da Saúde. "O negócio está muito ruim, doutor. O secretário pedindo leitos?", questionei. "Sim, não está fácil, fora a subnotificação que é realidade". No consultório, localizado no miolo da Aldeota, o número de consultas para investigar sintomas semelhantes à covid-19 havia aumentado para além do comum. E, para alívio do médico, nenhum positivo.

Fora do consultório, o médico está acompanhando um paciente com coronavírus em um município da Região Metropolitana de Fortaleza. Os 30 anos de batente na medicina deram a ele experiência para afirmar que a próxima semana será decisiva para o crescimento do contágio ou não do vírus que se espelhou a partir da China.

A partir de segunda-feira, 23, os casos da covid-19 poderão crescer em escalas assustadoras. A não ser, afirma o médico, que a população no Ceará cumpra, rigorosamente, os apelos do governo para que não sair às ruas. Somente quando for estritamente necessário.

O problema está na imprudência de muitas pessoas de encararem a quarentena definida pelo Governo do Ceará como sinônimo de "férias". O combate eficiente ao contágio, afirma o médico Francisco Simão, 64, ex-diretor do Instituto Médico Legal (hoje Pefoce) tem mais eficiência no isolamento domiciliar. A dinâmica nas ruas neste fim de semana, dirá sobre como o vírus encontrará terreno para se multiplicar geometricamente.

Em vários hospitais, como o Fernandes Távora no bairro Álvaro Weyne, em Fortaleza, a triagem de pacientes segue a regra de mandar para casa quem possa se recuperar em domicílio, mesmo que ainda necessitasse de mais tempo na unidade de saúde. E só ficam aqueles casos graves.

"Os próximos dias dependem do que for feito agora. Para que não se agrave, as atitudes da população se tornam mais importantes de que qualquer hospital, médicos ou poder público. Se isolar em casa é a saída mais efetiva para barrar a proliferação do vírus", orienta Francisco Simão que tem 40 anos de medicina.

Para o médico Antônio Silva Lima Neto, coordenador da Célula de Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde de Fortaleza, a compreensão sobre a necessidade do isolamento social chega diferente nas várias regiões da cidade.

"Um decreto governamental cancelando as aulas é bem visto na classe mais favorecida. Essa classe tem como deixar suas crianças em casa com trabalhadores domésticos ou, se for o caso de uma quarentena, com elas mesmas. Eles têm condição de se manter", afirma o médico que é mestre em Epidemiologia Ambiental e Políticas pela London School of Hygiene and Tropical Medicine, da Universidade de Londres. Antônio Lima avalia que a medida atinge de forma diferente os estudantes e os pais da escola pública. "Esses pais não têm onde deixar a criança", diz.

Em tese, observa o médico, a curva ascendente dos casos até aqui está concentrada no setor privado. São casos importados de pacientes que estavam em outro país, em outros estados. A concentração espacial ainda é muito no Meireles, Aldeota, um pouco no Bairro de Fátima, Dunas. Mas tendência é ter uma dispersão espacial para áreas periféricas, bairros mais populosos.

"A gente trabalha com muitas incertezas, não sabe ainda com que velocidade a transmissão da doença se dará para os outros bairros. Atualmente, 85% dos casos estão nas áreas de maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da cidade. Como toda doença que vem do exterior," mapeia Antônio Lima, doutor Saúde Coletiva pela Universidade Estadual do Ceará (Uece).



Com kits insuficientes, apenas pacientes graves fazem teste
O número insuficiente de kits para fazer o teste do coronavírus está gerando divergência em alguns hospitais de Fortaleza. Comunicado do Laboratório Hipólito Monte afirma que os laboratórios particulares estão proibidos pelo Ministério de realizar os testes e que o serviço é restrito "aos casos graves em ambiente hospitalar, via Lacen".

A ordem, quando se chega para consulta médica em um hospital, é decidir pelo paciente em situação grave para fazer a verificação. Procedimento padrão e que ganhou mais reforço com a pandemia.

Foi o meu caso e de minha companheira. Ao chegarmos em um hospital na Aldeota, que atende principalmente a classe média segurada por planos de saúde, só ela fez o teste para investigar se está ou não com a covid-19. Se o dela der positivo, provavelmente, entro na lista dos contaminados por tabela.

A médica, ao me atender, avaliou que era melhor não desperdiçar o teste com quem estava com alguns dos sintomas da covid-19, mas ainda em uma situação menos grave. "Você não será exposto e não há kit suficiente pra todo mundo", disse.

Na terça-feira passada, 17/3, o governador do Ceará, Camilo Santana, anunciou a compra de 5 mil kits para diagnosticar o novo coronavírus. Lote que se juntou aos 240 kits enviados pelo Ministério da Saúde.

Um número de kits é insuficiente dada a população de aproximadamente 6 milhões de habitantes do Ceará. E ainda com mais um agravante, o resultado do teste feito no hospital particular onde fomos sairá em dez dias.

Durante o anúncio da compra dos 5 mil kits, Camilo Santana anunciou que os resultados sairiam em 4 horas. Um material importado dos Estados Unidos e que iria ser distribuído em 14 equipamentos de saúde do Ceará. (DT)



Protocolos sanitários sobre coronavírus ainda são frouxos em hospitais
Em um hospital na Aldeota, em Fortaleza, para onde fui por indicação médica, há ainda muita dúvida e quebra de protocolos sanitários definidos pelo Ministério da Saúde e Organização Mundial da Saúde. O uso da máscara, por exemplo, entre os profissionais de saúde e auxiliares ainda é negligente.

"Não tem máscara? E como eu faço? Não dá para trabalhar assim", reclamou uma médica, ao entrar no plantão. No mesmo hospital, as fileiras de cadeiras no atendimento e acolhimento são coladas umas nas outras.

Crianças, adultos e idosos ficam em uma mesma ala. E a área reservada para o covid-19 é vizinha ao atendimento geral.

Ainda assim, o hospital é um dos que melhor presta atendimento de emergência em Fortaleza para um público segurado por planos de saúde.

No Porangabuçu, na unidade especializada em oncologia, faltam equipamentos de proteção individual para médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, auxiliares de enfermagem e outros trabalhadores.


Fonte: Opovo Online
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