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quinta-feira, 11 de junho de 2020

"Perdoar seria matar Miguel novamente", afirma Mirtes Renata

Mirtes Renata Santana de Souza ainda não têm as respostas para as dúvidas, questionamentos e indignações sobre os fatos que transformaram sua vida desde a morte do filho Miguel, 5, no último dia 2 de junho. Na manhã desta quarta (10), entretanto, ela resolveu manifestar um misto de desabafo e réplica, em paralelo à sua busca. A empregada doméstica enviou uma carta para a sua ex-patroa, Sari Gaspar Côrte Real, escrita com auxílio do advogado constituído, Rodrigo Almendra, relativa ao pedido de perdão feito pela primeira-dama do município de Tamandaré.

No final da semana passada, Sari tornou pública uma carta em que afirmava ser solidária à mãe de Miguel e solicitava o seu perdão. Mencionava, ainda que esta seria uma dor, embora incomparável a de Mirtes, a acompanhá-la pelo resto da vida e o fato de estar sendo condenada pela opinião pública. Finalizava afirmando ter certeza de que a justiça esclareceria a verdade e que sempre haveria carinho para a mãe e a avó de Miguel em sua casa.

O documento, entretanto, não foi entregue diretamente à mãe de Miguel, segundo Mirtes, que afirma ter tomado conhecimento do assunto pela TV. Ela chegou a verbalizar indiferença em relação à carta durante entrevista ao Diario, no último domingo. “Não senti nada com relação a isto. Ela não tem que pedir perdão a mim, e sim a Deus. As imagens mostram tudo o que aconteceu, não tem o que esclarecer. Não há justificativa alguma”, afirmou. Mirtes contou à nossa reportagem que decidiu tomar uma atitude oposta à da antiga patroa. "Ao contrário dela, que direcionou a carta à imprensa, inicialmente, enviamos o documento primeiramente a ela, por meio da sua advogada, antes do envio aos meios de comunicação. Ela já está ciente de todo o conteúdo ", afirmou.

Na sua carta, Mirtes ressalta o fato de não ter recebido nenhum pedido de desculpas pessoal por parte de Sari, fala sobre dor, saudade, perdão e justiça. Em um dos trechos, relata ausência de rancor e o tamanho da falta que sente do filho. “Uma mãe, sem seu filho, sofre uma crise, não apenas de identidade, como também de existência. Quem sou eu sem Miguel? Ela tirou de mim o meu neguinho, minha vida, por quem eu trabalhava e acordava todos os dias”, revela.

Em um dos pontos mais fortes, Mirtes opina sobre o ato de perdoar e afirma que isto seria como matar Miguel novamente. "A aplicação de uma pena será libertadora, abrandará o meu sofrimento, permitirá o meu recomeço e abrirá espaço para o que foi pedido: perdão. Antes disso, perdoar seria matar o Miguel novamente".

Nesta quarta, na delegacia de Santo Amaro, testemunhas do caso, incluindo o zelador do prédio, chegaram a ser ouvidas. A imprensa não teve acesso ao teor dos depoimentos.


Confira a carta na íntegra:

Recife, 10 de junho de 2020 

SOBRE O PERDÃO PEDIDO POR SARI

Eu não recebi qualquer pedido de desculpas. A carta de perdão foi dirigida à imprensa, o que me faz pensar que eu não era destinatária, mas sim a opinião pública com a qual ela se preocupa por mera vaidade e por ser esse um ano de eleição.

Eu não tenho rancor. Tenho saudade do meu filho. O sentido da vida de quem e%u0301 mãe passa pelo cheiro do cabelo do filho ao acordar, pelo sorriso nas suas brincadeiras, pelo “mamãe” quando precisa do colo e do abrigo de quem o trouxe ao mundo. Uma mãe, sem seu filho, sofre uma crise, não apenas de identidade, como também de existência. Quem sou eu sem Miguel? Ela tirou de mim o meu neguinho, minha vida, por quem eu trabalhava e acordava todos os dias.

Quando eu grito que quero justiça, isso significa que eu preciso que alguém assuma a minha dor, lute minha luta, seja o destilado da cólera que eu não quero e nem posso ser. Eu não tenho forças neste momento, não tenho chão. Não tenho vida!

Após poucos dias é desumano cobrar perdão de uma mãe que perdeu o filho dessa forma tão desprezível. Afinal, sabemos que ela não trataria assim o filho de uma amiga. Ela agiu assim com o meu filho, como se ele tivesse menos valor, como se ele pudesse sofrer qualquer tipo de violência por ser “filho da empregada”.

Perdoar pressupõe punição; do contrário, não há perdão, senão condescendência. A aplicação de uma pena será libertadora, abrandará o meu sofrimento, permitirá o meu recomeço e abrirá espaço para o que foi pedido: perdão.. antes disso, perdoar seria matar o Miguel novamente.


Por Diário de Pernambuco
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